15.11.11

Cabo André Souza: Um herói que faz história

1311am62“Um pastor amigo meu me pediu para sempre ungir a cabeça, as mãos e os pés antes de ir para operação.”

No momento da prisão do Nem, um dos homens que estavam dentro do Corolla preto e que se apresentou como advogado me disse que a mala do carro valia mais de um milhão. Ele também falou que bastaria um telefonema e o dinheiro viria. Mas não é o dinheiro que pagar a nossa dignidade. Fizemos um juramento de honrar nossa farda e não podemos quebrá-lo.

Quem se submete a isso não é digno de usar o mesmo uniforme que milhares de homens de bem da polícia. Fiquei muito envergonhado quando soube da prisão de policiais civis (que tentaram dar cobertura à fuga de comparsas de Nem).

Faço questão de ressaltar uma coisa: não agi sozinho. Foi um trabalho em conjunto. Recebemos orientação para revistar todo veículo que fosse. Fizemos apenas a nossa obrigação.

No momento, não me dei conta da prisão de Nem. A ficha só caiu quando comecei a ser cumprimentado pelos meus colegas de farda. Na mesma semana eu ajudei a socorrer o cinegrafista Gelson Domingues (da Band), morto durante uma operação na Favela de Antares, em Santa Cruz. Eu atravessei a rua no meio do tiroteio, com o fuzil nas costas para ajudar a carregar o cinegrafista baleado.

Depois desse dia, um pastor amigo meu me pediu para sempre ungir a cabeça, as mãos e os pés antes de ir para operação. Fiquei abalado, pois poderia ter sido com qualquer um. Fico feliz pelo reconhecimento pela ação, mas tudo isso que eu fiz e faço todos os dias é a minha obrigação como policial. Vivo e sustento a minha família do meu trabalho e não preciso fazer nada de errado para sobreviver.

Não compactuo com esse tipo de coisa (aceitar propina). Isso é certo. Há falta de caráter, pessoas desonradas que mancham a corporação, mas nem todos são assim. Ainda mais que eu gosto de verdade da Polícia Militar. Sinto que nasci para ser policial. Trabalhava como porteiro, mas meu sonho sempre foi ser PM. Enquanto estava na portaria estudava para concurso, até que um dia eu passei e realizei.

Tenho orgulho do que faço, do trabalho que tenho diariamente. Tenho plano de cursar uma faculdade de Direito em um futuro próximo para compreender melhor as leis, mas não vou jamais abandonar a polícia. Só saio quando me aposentar.

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André Souza é cabo do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio e um dos responsáveis pela prisão do traficante Antonio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha.

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