23.11.11

A lei do mais forte: Cronologia do abuso

Eles chegam com bandeiras, tropas sob comando e ocupam as comunidades. São tratados como libertadores. Depois fazem um baile de debutantes e dão a meninas pobres a oportunidade de dançar com cadetes, realizando o sonho dos Anos Dourados de suas avós. Legitimando a ocupação, músicos e artistas passeiam pela comunidade, dando a sensação de que becos e ruelas são cenários do Projac. Em ocupações anteriores teve até juízes-músicos. Com almas sombrias e togas escurecidas afinaram seus instrumentos com os dos homens de preto, cujo lema é a morte, mas perderam a harmonia com o Estado de Direito.

Mais tarde vêm os conflitos. Quem não abaixar a cabeça quando passarem levará tapa na cara. Num vídeo postado na internet um oficial do Exército, no Alemão, dá voz de prisão: "Tá preso geral!" Quem fez o que? Não importa. Quem não fez nada, desacatou por inércia. Uma mãe intervém pelo filho, que não pode ser preso porque acabou de arranjar emprego. Leva um empurrão e também vai presa. Por desacato, claro! No final tudo será arquivado, mas nenhum morador escapa da possibilidade de passear na viatura e ficar umas horas na delegacia ou uns dias no xadrez. Não faltarão juízes para manter presa provisoriamente uma pessoa acusada de desacato, mesmo que a condenação definitiva não resulte em privação da liberdade.

O processo se refinou. No Alemão as invasões das casas foram feitas sem mandado e roubaram o que os moradores tinham de valor. Policiais apelidaram a operação de garimpo. Na Rocinha o comandante reuniu os moradores e disse que a invasão de domicílio será feita dentro da lei e que se houver abuso aceitará reclamação. A que lei o comandante se refere se à margem da Constituição invade domicílios sem mandado, estabelece toque de recolher, restringe direitos sem decretação de estado de defesa ou de sítio e se as atividades culturais na comunidade estão sob censura e por ele tuteladas?

A lei do mais forte não é lei, é força.

Por: João Batista Damasceno

1 comentários:

SalomãoCPR/UERJ disse...

"O crime só progride até onde a justiça permite", foi o que
Malcom X ouviu de uma contraventora para qual ele trabalhava. NUNCA vi o BOPE agir com tanta garra, furor e tática para prender bandidos do asfalto e do colarinho branco. Em um cartaz de um curso preparatório militar aparecem os soldados da marinha, do exército, da aeronáutica e até dos bombeiros em posição de sentido e fardados, ao passo que no mesmo cartaz um policial do BOPE mostra-se agachado atrás de uma viatura mirando seu fuzil para uma favela.
Somos todos culpados pela impunidade. A imprensa destacou o policial herói-porém-pobre mas quantos policiais heróis e não-heróis ATORMENTAM os pobres cobrando propinas, batendo em suas faces, xingando-os? Os resultados disso? Bem, apenas te pergunto: ALGUMA pesquisa já mostrou o perfil comportamental das famílias desses policiais? Seus filhos são alunos mais atenciosos e respeitosos?
A ocupação dos morros será um PARAÍSO no início como foi a do Alemão mas depois seus atores começarão amostrar suas garras. Este CIRCO ilusório não pode subsistir por muito tempo. Como eu chamo essa encenação toda de justiça e cidadania? A ILUSÃO DA DEMOCRACIA.

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