13.11.11

A Ilusão da Democracia

Somente os mais ingênuos acreditam que os partidos políticos brigam por cargos interessados em ajudar o governo a fazer o bem do país – e nada mais. Nunca foi assim. E pelo jeito jamais será. Os partidos ambicionam cargos para roubar. O dinheiro enche os bolsos dos seus dirigentes e financia campanhas que custam cada vez mais caro. É simples assim.

Candidato rico pode até gastar parte do seu dinheiro para se eleger. São raros. De remediado para baixo, candidato usa o dinheiro dos outros para se eleger. E fica devendo favores que depois tenta pagar no exercício do mandato. Emplacar um protegido em cargo de relevo é meio caminho andado para pagar o que deve e sair com o lucro. Perguntem ao experiente senador José Sarney se não é...

Há uma secretária de empresa estatal da área de energia que só faz uma coisa durante o expediente: cuidar dos interesses do senador. Ora ela atende o próprio, ora algum dos filhos dele. Antes que passe pela cabeça de Sarney a idéia de me processar, adianto logo: tudo o que ele faz, tudo mesmo, é legal. Fui claro? Fui convincente?

Estamos conversados. Adiante. O PT só chegou ao poder que de fato importa quando resolveu se comportar com os demais partidos. Lula cansara de perder. Então arquivou a vergonha. Certo dia, entre 1998 e 2002, chamou José Dirceu e disse mais ou menos isto: “Só serei candidato pela quarta vez se for para ganhar. E para ganhar vale tudo.”

Valeu, por exemplo, comprar o passe do Partido Liberal (PL) de Valdemar Costa Neto por pouco mais de R$ 6 milhões. Lula assistiu à compra em Brasília. Parte do dinheiro foi doada pelo seu então candidato a vice, José Alencar. O apoio do PL resultou em mais tempo de televisão e de rádio para Lula. Apoio de partido vale por isso.

No primeiro mandato, Lula recusou-se a pagar o preço pedido pelo PMDB para apoiá-lo. O PMDB queria cargos, muitos cargos. E autonomia para tirar proveito deles. Contrariando José Dirceu, Lula imaginou que poderia governar comprando apoios a cada votação importante no Congresso. O mensalão derivou disso. E no que deu.

O loteamento do governo consumou-se no segundo mandato. E foi responsável pela montagem da coligação de 11 partidos que apoiou Lula e que depois apoiaria Dilma. Pergunte a qualquer ex-presidente da República se os partidos que governam junto com ele não se aproveitaram de cargos para roubar. Pensando melhor, não pergunte.

Todos negarão que isso tenha ocorrido. Há assuntos sobre os quais não se fala. Na vida real, os governantes admitem uma certa margem de roubo. Caso o roubo vire um escândalo e o ameace, ele é obrigado a limpar a área. Os partidos e eventuais ocupantes de cargos públicos concordam que ele proceda assim. Desde que ninguém vá preso.

No programa “Zorra Total”, da Rede Globo de Televisão (rede esgoto), no sábado, dia 5 de novembro, ouvi o comentário de um personagem cínico: “Voltar? Dinheiro de corrupção? Não volta. Volta vestido tubinho. Volta pantalona. Mas dinheiro de corrupção não volta”. Bingo! É da regra do jogo. Sem prisão – salvo se temporária e curta. Sem devolução.

Uma vez denunciados pela imprensa, Dilma livrou-se em 11 meses de governo de cinco ministros suspeitos de envolvimento com irregularidades. Tem um sexto aí na bica. Em qualquer outro lugar já se teria dito com todas as letras e a ênfase necessária que o governo apodreceu. Pois, sim. Apodreceu.

Aliás, além de ter virado “comida de bicho”, essa é a ILUSÃO DA DEMOCRACIA. Uma democracia que nunca existiu, uma democracia ilusória, uma democracia que beneficia apenas os ricos e poderosos deste país. O que era episódico se tornou um sistema, o que era um desvio de conduta individual se tornou prática aceita para garantir a governabilidade.

A busca do poder com base na corrupção sistêmica é uma visão de mundo, uma ideologia que santifica o Estado, que justifica eticamente o que se faz dentro do governo e faz de conta que não vê o desvio de dinheiro público, desde que seja para ajudar os partidos a se manterem no poder.

Citei neste primeiro momento um trecho do obscuro (ou nem tão obscuro assim) submundo político brasileiro. Mas poderíamos aqui fazer centenas de questionamentos, veja alguns e tire suas próprias conclusões:

1- Quantas ações são engavetadas pelos juízes do supremo. Será que estes juízes de 1ª instância são analfabetos? Deferiram sem pensar apuradamente?

2- Quantas ações foram movidas contra Paulo Maluf e quantas o supremo engavetou? Então, porque não investigar esses juízes de 1ª instância?

3- Porque não existe um homem de caráter para investigar o senador José Sarney?

4- Porque o BB (Banco do Brasil), que é um banco do povo não lança um cartão de crédito com juros mais baixos, pelos menos para produtos de cesta básica, para construção de casas ou até mesmo para medicamentos?

Porque? Porque eles alegarão competitividade. “Temos de usar as mesmas taxas da concorrência e tal…” sempre com desculpas. E aí eu perguntaria: “O banco é de quem, cara-pálida?”

5- Se o BNDES já é do governo por que ele EMPRESTA dinheiro para os estados? Já não tem os ministérios…? Poderíamos dizer então, que o BNDES nada mais é do que uma filial do FMI!

Isso chama-se: ILUSÃO DA DEMOCRACIA, SENHORES.

 

O povo precisa ter a ilusão de que existe justiça, cidadania – democracia, enfim – para que não se dê conta de que está sendo “ESTUPRADO” na senzala!

Isso aí é um negocinho que eu ouvi falar… forte abraço a todos e Deus nos abençõe.

Aos mestres: Noblat / Boechat / Salomão Mariano

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