13.6.11

Os celulares e o fim da vida

“A vida online acabou com o fim de semana.”

Mundo globalizado - Apocalipse Em Tempo RealOs celulares fazem mal à saúde? Sinceramente não sei como lhes responder. Entretanto, desconfio que a exagerada quantidade de recursos e funcionalidades começam a complicar o nosso cotidiano bem como, a nossa vida. Os últimos celulares estão vindo carregados de promessas milagrosas: quando vamos à praia, lemos e-mails, verificamos o saldo bancário, acompanhamos as notícias em tempo real. E a cada semana que passa, mais novas bugigangas tecnológicas são nos oferecidas, e sempre com a promessa de acabar com nossos problemas, com a solução estando ao alcance dos dedos.

Se pararmos para analisar, é até legal. Porém, começo a pensar que, ao invés de nos ajudar a ganhar tempo, tantas facilidades e promessas começam a roubar momentos valiosos e importantes de nossas vidas, aqueles momentos únicos, incomparáveis e raros que temos para não fazer nada. Lembro que, antigamente, quando íamos à praia mergulhar, tomar sol, beber água de coco, jogar bola, conversar com amigos. Ficávamos horas nos dedicando a deliciosas inutilidades. E hoje? Com um celular em nossas mãos e munidos dele, ganhamos a “possibilidade” de resolver vários problemas. Dessarte, conquistamos o direito de trabalhar nas horas vagas e de lazer. Estamos sempre ligados (ou logados), ao alcance de tudo e de todos. E vice-versa. Todos também estão sob a nossa mira — a vida online acabou com o fim de semana. Precisamos esperar até o início da semana para enviar um e-mail se isto pode ser realizado da praia, do restaurante, do churrasco ou junto da namorada? Se ninguém tem mais o respeito por nossos horários de lazer, por que seríamos cúmplices do descanso alheio?

Recordo que tempo atrás, éramos obrigados a escolher, e decidir nossos programas e tarefas. Hoje, existe uma espantosa capacidade de acumularmos funções e/ou prazeres. Podemos conversar, dirigir, postar no Twitter ou no Facebook e acompanharmos um noticiário. Sim, tudo isso ao mesmo tempo, é possível, ainda que de maneira precária. E ainda existem aqueles que vão a um estádio de futebol menos interessados no jogo do que em relatar aos amigos que está no estádio assistindo uma partida. O sujeito fica na praia mais preocupado com o destino do governo do que em curtir o seu momento de lazer. E ainda existem aqueles que vão a um culto na igreja e estão navegando na internet. Estamos perdendo o prazer das coisas boas da vida. O prazer de tirar um minuto para ficarmos à toa, sem fazer ou pensar em nada. Criamos o vício da necessidade de estarmos e ficarmos conectados, ligados e logados, como se tivéssemos medo de nós mesmo, de nossos pensamentos. Parece que não sabemos mais ficar sozinhos ou mesmo, em silêncio, ao lado da pessoa amada. Na realidade, não conseguimos mais observar o mar ou o pôr do sol sem dizer para o resto da humanidade que estamos fazendo isso ou aquilo. É meio estranho e esquisito quando o relato da vida se torna mais sedutor que a própria vida.

Pense e reflita.

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